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O café e sua origem

O habitat natural do café é a região entre a Abissínia (atual Etiópia) e os grandes lagos centrais africanos, principalmente nas províncias montanhosas de Kaffa e Enéria.

A primeira migração do grão foi para a Arábia - Iêmen - ao sul do Arábia Saudita de hoje, atravessando o mar vermelho. Nesta região a infusão do café recebeu o nome de "kahwah" ou "cahue", que significa força.

Foi a partir da Arábia que ele se espalhou pelo mundo. Do Iêmen o café iniciou sua trajetória numa longa viagem, na qual não faltaram episódios místicos, religiosos, perseguições, tribunais que ora condenaram, ora beatificaram esta maravilhosa riqueza natural.

A Europa conheceu a bebida através dos venezianos em 1615. Até o século XVII, somente os árabes produziram café. Os holandeses conseguiram as primeiras mudas e as cultivaram, cuidadosamente nas estufas do jardim botânico de Amsterdã, e a partir delas iniciaram, em 1699, plantios experimentais que devido ao sucesso trouxe lucro, encorajando outros países a tentar o mesmo.

O café, de Java via Amsterdã, vai para a França, de onde uma única muda é levada a Ilha de Martinica, nas Antilhas. De lá vai para Caiena, Guiana Francesa, onde começa a história do café brasileiro.

O café no Brasil
Por ocasião de expedição enviada a Guiana, pela Coroa Portuguesa em 1727, o sargento-mor Francisco de Melo Palheta recebeu um punhado de sementes e algumas mudas de café, de presente da esposa do governador da Guiana Francesa. Em seu relatório a D. João V, solicitando 100 casais de escravos e 50 índios para que pudesse cultivar a planta, consta que ele possuía "mil e tantas frutas e cinco plantas de café".

No Brasil, o café foi primeiramente plantado no Pará em 1727 e demorou a constituir-se em artigo de exportação. Também foi cultivado no Maranhão, Pernambuco, Ceará (mudas provenientes de Paris) e Bahia (mudas provenientes do Espírito Santo), mas sua produção no Nordeste não chegou a ser significativa.

Enquanto no Espírito Santo, o café se constituiria em produto de exportação no final do século XVIII, o Rio de Janeiro, em 1779, embarcou em seu porto 79 arrobas de café e em 1806 esta cifra já era de 82 245 arrobas.

Do Estado do Rio de janeiro os cafezais se espalharam pelos municípios da hoje Baixada Fluminense, chegando a Resende, Vale do Paraíba e atingindo Angra dos Reis. A introdução do café, nesta província, é atribuída ao Desembargador João Alberto Castelo Branco.

Os primeiros cafeicultores fluminenses foram os nobres portugueses e elementos do clero, que cultivavam o produto em pequenas propriedades.

A cafeicultura fluminense consolidou-se no Vale do Paraíba, sendo que em 1802 são registradas escrituras de venda de terras e cafezais. Com o avanço do cultivo do café, as terras tornaram-se crescentemente valorizadas, surgindo, assim, uma nova elite, cuja riqueza era medida pelo número de cafezais existentes em suas propriedades e pela posse de escravos, acarretando o desaparecimento da pequena propriedade.

Em São Paulo, tem-se referência das primeiras plantações no distrito de Bananal em 1782, mas sem descartar a hipótese de que possam ter sido nos distritos de Ubatuba ou São Sebastião. Dessas áreas a cultura foi levada para o Oeste da Capitania, onde foram feitos ensaios em várias localidades. No ano de 1806, São Paulo exportava 23 420 arrobas.

O primeiro processo de beneficiamento do café foi o dos pilões manuais que utilizavam a mão-de-obra escrava.

Minas Gerais utilizou-se das estradas, inicialmente usadas na mineração, para levar seu café ao porto carioca. Em Minas houve uma redistribuição de atividades e áreas economicamente ativas, com a Zona da Mata tomando dianteira na produção econômica do Estado.

A cafeicultura permaneceu como atividade secundária durante todo o século XVIII, consolidando-se apenas em meados do século XIX, quando os Estados Unidos, grande consumidor de café, tornou-se livre da dominação britânica. O Brasil, favorecido pela posição geográfica encontra, naquele país, um de seus principais mercados, que absorverá mais de 50% da exportação brasileira.

Associando-se a este fato a crise das culturas, o café ficou sem competidor e no período de 1850 a 1888 o Brasil assume a liderança mundial na exportação de café. Este período foi de contínua prosperidade para a cafeicultura, registrando a mudança do eixo econômico nacional do Nordeste para o Sudeste.

No final do século XIX o café correspondia a 70% das exportações brasileiras e era responsável por cerca de 70% da produção mundial.

A produção desenvolveu-se de forma acentuada em São Paulo e, entre 1876 e 1883, com o avanço da cultura para o Oeste do estado, este teve sua produção duplicada.

Com o fim do escravismo, os cafeicultores recorreram à mão-de-obra imigrante que, na segunda metade do século XIX, foi responsável pela vinda de 220 000 colonos.

Os fazendeiros paulistas estabeleceram conexões sócio-econômicas entre suas propriedades e as cidades próximas, criando uma nova mentalidade urbana então inexistente na região.

Após seu apogeu no final do século XIX, o café encontrou dificuldades, como a Abolição que enfraqueceu sua estrutura econômica e em 1920 foi abalado por uma grande crise, decorrente da política inábil da república, frente a uma produção maior do que o consumo no mercado mundial.

A forma encontrada, para resolver o problema da superprodução, foi a destruição de cafezais velhos, a queima de safras e a proibição de novos plantios.

No início da segunda metade do século XX, a demanda aumentou devido ao crescente consumo no mercado externo e no interno com a urbanização e o crescimento da população.

A partir de 1960, depois de regulamentadas as leis trabalhistas, os fazendeiros deixaram de ter empregados fixos nas fazendas (desobrigando-se assim de cumprir a lei), surgindo assim, os trabalhadores volantes (bóias-frias) moradores nos centros urbanos e que trabalham somente na época de colheita.

Nas últimas décadas, o café brasileiro passou a enfrentar a concorrência de outros países produtores e a interferência externa na economia brasileira, pois que, o café tornou-se um produto de alta rentabilidade nas bolsas de valores do mercado internacional.

A produção e a procura do café não diminuíram. O preço no mercado mundial é que sofre oscilações, sobretudo devido à qualidade do produto. Atualmente, o maior produtor de café no país é o Estado de Minas Gerais, que detém em torno de 50% da produção brasileira e o Brasil é o maior produtor mundial responsável por mais de 40 % da produção total.